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Por vezes acredito que acordo num país surreal, num país em que a insanidade da realidade ultrapassa qualquer ficção. Estamos presos numa "silly season" há uns bons 4 anos, eu sei, mas por vezes a surpresa ao ver algumas noticias ainda consegue deixar-me de cérebro congelado.

Hoje abro o twitter no sossego das manhãs domingueiras e deparo-me com a noticia (aqui) que há mulheres a serem chamadas a consultas de saúde ocupacional onde lhes é proposto que, "wait for it", esguichem leite para um recipiente. O surrealismo entra de rompante, bate no cérebro e faz ricochete na admiração.

A legislação portuguesa permite que uma mulher que tenha um filho possa ter uma redução de horário de trabalho até duas horas diárias para amamentação ou aleitação até a criança fazer um ano. Após o ano feito a mãe que queira pode continuar a amamentar desde que entregue uma declaração médica todos os meses.

O que a lei não obriga é a mulher a provar que tem leite numa qualquer prova de esguicho perante o olhar inquisidor de um avaliador pago pela entidade patronal. Sei bem que esta avaliação pode ser fruto de abusos do passado, mas não esqueçamos que há um médico que todos os meses passa uma declaração assim como aquela mulher está a amamentar. Sei também que esta é uma forma de pressão da entidade patronal perante a funcionária para que esta deixe de amamentar, fazendo-a passar por um exame humilhante, uma verdadeira forma de agressão e pressão psicológica.

Está mais que na hora de um debate sério sobre formas de apoio à natalidade. Repito, debate sério e sem agendas politicas escondidas.

Até lá vou regressar ao buraco onde estas noticias degradantes não aparecem.

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publicado às 19:07



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